Grande parte da população entende Diabetes Mellitus do tipo 2 (DM2) como
uma evolução da Diabetes Mellitus do tipo 1 (DM1), porém esta é
uma concepção equivocada, visto que elas têm fisiopatologias
distintas, além de um tipo acometer pessoas magras e o outro,
pessoas acima do peso, na maioria dos casos. Portanto, o objetivo
aqui é esclarecer os conceitos e diferenças entre DM1 e DM2,
apresentando, do ponto de vista bioquímico, definições básicas
para a compreensão destes conceitos.
O QUE É A DIABETES?
Para dar início ao esclarecimento, faz-se necessário elucidar a
ideia de diabetes. Logo, esta é uma doença a qual consiste em um
excesso de glicose na corrente sanguínea, o que afeta diretamente a
homeostase do organismo. Basicamente, isso ocorre devido à insulina,
um hormônio peptídeo, ser impedida de realizar uma de suas funções,
que seria encaminhar a glicose consumida para dentro de órgãos como
o cérebro, o qual necessita constantemente de glicose; o fígado,
que provavelmente você já ouviu como sendo um dos órgãos mais
importantes para o metabolismo; os músculos e para o tecido adiposo.
Um dos seus questionamentos após a leitura deste parágrafo, pode
ter sido como a insulina carreia a glicose para dentro da célula. O
outro pode ter sido a respeito da utilidade da descrição do papel
insulínico diante a caracterização da DM1 e DM2.
A INSULINA
Quanto aos seus questionamentos, agora vêm as respostas.
Primeiramente, deve-se notar que a insulina, como um hormônio
peptídeo, é liberada pelo pâncreas, mais especificamente pelas
células beta. A glicose quando entra nas células beta por meio do
transportador de glicose (GLUT 2), é fosforilada, logo passa a ser
glicose-6-fosfato. Com a maior interação entre o ADP e o ATP, os
canais de potássio se fecham, despolarizando o meio intracelular, e
consequentemente os canais de cálcio se abrem fazendo com que a
insulina migre para o meio extracelular.
Explicada a maneira com que a insulina chega ao espaço
extracelular, pode-se explicar o mecanismo utilizado por ela para a
entrada de glicose nas células e a importância deste para a
compreensão da diabetes mellitus. A insulina se liga a receptores,
os quais possuem duas subunidades alfa e duas beta, que permeiam a
membrana celular e chegam ao citoplasma. Quando o hormônio peptídeo
se conecta ao receptor, ocorre uma emissão de sinal pela
autofosforilação da célula beta, a qual se transforma em uma
quinase que irá fosforilar outras enzimas presentes, ativando ou
inativando-as. Quando há a ativação da enzima PI-3-quinase, o
transportador de glicose (GLUT 4) é ativado e se move para a
membrana, permitindo a entrada de moléculas de glicose para o meio
intracelular.
A INSULINA E A DIABETES
Por conseguinte, após a explicação do funcionamento da insulina,
faz-se necessário esclarecer a incidência desse procedimento nas
diabetes mellitus do tipo 1 e 2. Na DM1, a insulina é impedida de
atuar porque não é produzida, visto que as células beta
pancreáticas das ilhotas de langerhans são destruídas. Como isso
ocorre? Os anticorpos são estimulados a fagocitarem as células
beta, por vê-las como antígenos ao organismo, e por isso a DM1 é
vista como uma doença autoimune. Essa alteração ocorre por uma
predisposição genética ou por um estímulo ambiental, como uma
infecção viral; porém diversos estudos, como os da vitamina D e do
leite de vaca, já foram realizados para descobrir os fatores que
ocasionam tal destruição de células beta.
Já na Diabetes Mellitus do tipo 2, existem diversos meios de
resistência à insulina, em um deles, ela tem sua ação bloqueada
pela alteração de receptores insulínicos, e assim, o hormônio
peptídeo é impedido de se ligar ao receptor e dar início à
cascata de sinalização para o GLUT 4 transportar a glicose
plasmática para o meio intracelular. Diante disso, os portadores de
DM2 são ditos como resistentes à insulina. Alguns estudos
comprovaram que a obesidade e a hipertensão são causadores
significativos dessa resistência à insulina, além da genética.
Letícia de Souza Leite
O texto acima enriqueceu meu conhecimento sobre a diabetes, e contribuiu também para um melhor entendimento sobre seus tipos. A partir do texto minhas dúvidas a respeito da insulina foram sanadas.
ResponderExcluirMeu pai tem diabetes, e gostei muito de poder compreender melhor o assunto!
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